Melanoma das mucosas da cabeça e pescoço

Aproximadamente 50% dos melanomas das mucosas começam na região da cabeça e pescoço, sendo os locais mais comuns a cavidade nasal, incluindo os seios perinasais, e a cavidade oral.

Os locais mais comuns da região da cabeça e pescoço onde surge o melanoma das mucosas são a cavidade nasal, incluindo os seios perinasais, e a cavidade oral. Muito raramente também surge na laringe. Os sintomas que surgem são muito pouco específicos, estando muito frequentemente associados a problemas de saúde menos graves e podem incluir:

  • Sangramento de apenas uma narina, que ocorreu várias vezes ao longo do tempo, durante um período de, pelo menos, 3 semanas;
  • Uma narina entupida, que não desentope com gotas descongestionantes e que ocorreu várias vezes ou durante um período longo de, pelo menos, 3 semanas;
  • Um caroço ou mancha na língua ou dentro da boca que pode ou não sangrar ou ser de cor escura, que tem crescido e que está presente há pelo menos 3 semanas;
  • Uma ferida dentro boca que não melhora há 3 semanas;
  • Rouquidão sem explicação que não teve melhoras em 3 semanas.
  • Gânglios do pescoço inchados sem melhoras após 3 semanas.

 

Na presença de algum destes sintomas é muito importante comunicá-los ao seu médico, para que ele possa esclarecer a sua causa.

Na consulta de diagnóstico a lesão da qual existem queixas será examinada, bem como toda a zona do pescoço. Poderá também ser realizada uma tomografia computorizada (TC) ou ressonância magnética da zona afetada e uma biópsia onde é recolhida uma pequena amostra da lesão para examinar ao microscópio. Caso se confirme o diagnóstico de melanoma das mucosas da cabeça e pescoço, poderá também ser realizado um exame PET-CT ao corpo para avaliar se o cancro se espalhou para outras partes do corpo.

Existem várias mutações genéticas que têm sido identificados e que podem estar envolvidos em alguns, mas não todos, os melanomas das mucosas da cabeça e pescoço. A amostra de tecido recolhida na biópsia pode ser testada para ver se uma ou mais destas mutações genéticas identificadas estão envolvidos no cancro. Este tipo de testes, designados testes genéticos, pode ajudar a decidir qual o melhor tratamento, no presente e no futuro.

A equipa médica fará um diagnóstico baseado nos resultados dos testes e exames médicos e, caso se confirme o diagnóstico de melanoma das mucosas da cabeça e pescoço, este será avaliado por um processo designado estadiamento. O estadiamento descreve o estadio da doença, ou seja, o quanto o melanoma se espalhou no corpo. Quanto maior o estadio, mais o melanoma se espalhou. O estadiamento é muito importante porque é utlizado pelos médicos para recomendar o tratamento mais adequado. Um dos estadiamentos possíveis do melanoma da cabeça e pescoço é designado TNM e associa da seguinte forma os três parâmetros:

  • T – Tumor: refere-se ao tamanho, extensão e tecidos que estão envolvidos no cancro. Pode ser T3, T4a ou T4b;
  • N- Nódulos linfáticos regionais: refere se o melanoma se espalhou para os nódulos (ou gânglios) linfáticos regionais, ou seja, os que estão próximos da lesão original. Existem 3 tipos de N possíveis: N0, não estão presentes metástases nos nódulos linfáticos regionais; N1 estão presentes metástases nos nódulos linfáticos regionais e NX quando não é possível avaliar os nódulos linfáticos;
  • M- Metástases: se o melanoma se espalhou para locais distantes. Pode ser cM0 ou cM1, se não estiverem presentes metástases distantes ou estiverem, respectivamente. pM1 é utlizado quando as metástases distantes são confirmadas microscopicamente. MX é atribuído quando não é possível avaliar as metástases.

A pessoa diagnosticada, familiares ou cuidadores devem comunicar à equipa médica todas as suas dúvidas sobre o diagnóstico e prognóstico e, desta forma, obter respostas sobre os assuntos que considerem relevantes e, caso desejem, ter um maior envolvimento na planificação do seu tratamento.

O tratamento será assegurado por uma equipa médica especializada multidisciplinar, ou seja, que irá envolver profissionais de saúde de várias especialidades. Sendo o melanoma das mucosas da cabeça e pescoço um cancro raro que tem semelhanças a ambos melanoma da pele e outros cancros de cabeça e pescoço, a equipa que fará o seguimento provavelmente será composta por especialistas destes últimos tipos de cancros. É importante esclarecer quem são os elementos da equipa que podem ser contactados caso surja alguma questão durante a fase de tratamento ou, por exemplo, seja necessário agendar uma consulta de urgência.

A primeira linha de tratamento para o melanoma das mucosas da cabeça e pescoço é a cirurgia, Se o cancro não se espalhou para além do local onde se iniciou, é provável que o tumor seja totalmente removido por cirurgia. Se o tumor estiver no nariz ou garganta é mais difícil de aceder do que se estiver na boca, e a cirurgia poderá ser realizada endoscopicamente para minimizar quaisquer eventuais problemas e sequelas. Se possível, o cirurgião fará uma biópsia para avaliar se o melanoma está presente nos nódulos linfáticos próximos. Outro dos procedimentos realizados durante a cirurgia será a remoção de um pouco do tecido circundante saudável para garantir que todo o melanoma foi removido. Estas margens designam-se margens cirúrgicas de segurança. A remoção destas margens em torno do melanoma reduz o risco de que este reapareça naquele local.

Durante o planeamento da cirurgia deve ser discutido com o cirurgião o impacto que a cirurgia poderá ter na qualidade de vida da pessoa diagnosticada e discutidas as diferentes opções possíveis.

Se o melanoma não se tiver espalhado e as margens cirúrgicas estiverem livres de melanoma, a cirurgia pode ser o fim do tratamento ou, dependendo do estadio e do tumor, pode ser sugerida terapia adjuvante. O tratamento adjuvante é o tratamento administrado após o tratamento primário para matar eventuais células melanoma que tenham ficado no corpo mas que não são detectáveis por testes de sangue ou de imagem; a sua realização está associada ao risco do melanoma voltar após uma cirurgia de intenção curativa.

Poderá ser proposta radioterapia adjuvante, geralmente se houver um risco muito elevado de recidiva local. Deverá ser discutido com a equipa médica as possíveis complicações e sequelas resultantes deste tipo de tratamento.

Relativamente ao melanoma da pele, nos últimos anos tem havido avanços importantes com a Imunoterapia e terapêutica dirigida. A Imunoterapia estimula o corpo a combater o cancro enquanto que a terapêutica dirigida ataca mutações genéticas específicas dentro das células de melanoma, que são responsáveis pelo seu crescimento e divisão descontrolados. Estes tratamentos poderão também ser disponibilizados no contexto do melanoma das mucosas da cabeça e pescoço de acordo com o diagnóstico e condição específica de cada doente.

Ainda que a informação relativa ao melanoma das mucosas da cabeça e pescoço seja escassa por se tratar de uma doença rara, no contexto do melanoma avançado alguns estudos demonstraram eficácia clinica da Imunoterapia e também da terapêutica dirigida em alguns subgrupos de doentes.

Se a cirurgia afetou dentes, olhos ou a aparência em geral da pessoa, deverá haver encaminhamento para uma equipa médica que possa ajudar a ultrapassar essas consequências. Pode ser requisitado o referenciamento para obtenção de  apoio psicológico. 

Uma vez terminados os tratamentos, haverá um acompanhamento através de consultas e exames regulares. Um esquema de acompanhamento possível é apresentado de seguida. À medida que o tempo avança diminui o risco do melanoma voltar e, por isso, o acompanhamento vai sendo cada vez mais espaçado.

Se o melanoma voltar, seja perto do local onde ocorreu originalmente ou noutro local do corpo, poderão ser disponibilizados os tratamentos sistémicos Imunoterapia e Terapêutica dirigida referidos anteriormente. No entanto, estão constantemente em desenvolvimento novos tratamentos e deverá ser discutido com a equipa médica todos os cenários possíveis, tais como eventuais ensaios clínicos disponíveis. Pode também ser sugerido uma nova cirurgia ou radioterapia. Após o tratamento de uma recidiva ou metástase o acompanhamento em consultas e exames volta a ser mais frequente.

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