Melanoma da Pele

Em Portugal, estima-se que sejam diagnosticados 1.000 novos casos de melanoma da pele por ano e que a taxa de incidência do melanoma seja cerca de 9 novos casos por cada 100.000 habitantes, com maior prevalência a partir dos 65 anos. O melanoma da pele quando detetado em estadios iniciais pode ter até 95% de cura.

A pele é o maior órgão do corpo, sendo composta por duas camadas principais: a camada externa denominada epiderme e a camada interna denominada derme. Por baixo destas está uma camada de tecido gordo. A função principal da epiderme é proteger o corpo e ajudar no controlo da temperatura. A epiderme é composta três tipos principais de células:

Células escamosas – são células achatadas agrupadas compactamente que formam a camada superior da pele, representando a camada mais espessa da epiderme. À medida que estas células morrem vão para a superfície da pele e são libertadas para serem substituídas por novas;

Células basais – são células em forma de bloco que formam a camada inferior da epiderme e que estão em constante multiplicação. À medida que envelhecem, sobem dentro da epiderme em direcção ao exterior e achatam-se para formar as células escamosas;

Melanócitos – estas células encontram-se intercalados nas células basais e produzem um pigmento escuro denominado melanina, que é responsável por dar cor à pele. Quanto maior é a quantidade de melanina mais escura é a pele. Quando a pele é exposta à radiação ultravioleta (UV) os melanócitos produzem melanina extra para proteger a pele de se queimar. É esta reação que provoca o bronzeamento da pele. Os melanócitos estão também presentes em manchas não cancerosas (benignas) chamadas de sinais ou nevos. A maioria dos sinais têm diferentes tons de castanho ou rosa e forma redonda.

A derme é a camada da pele que se situa por baixo da epiderme e é muito mais grossa. É constituída por tecido fibroso e contém as raízes dos pelos (folículos), glândulas sudoríparas, vasos sanguíneos, vasos linfáticos e terminais nervosos. Os vasos sanguíneos e linfáticos trazem nutrientes para a derme e epiderme. As glândulas produzem fluídos ou químicos de acordo com as necessidades do corpo.

Por baixo da derme está o tecido subcutâneo. Subcutâneo significa por baixo da pele. É maioritariamente formado por gordura e tecido conjuntivo. Não faz parte da pele mas liga a pele aos músculos e ossos. Também guarda o calor corporal, armazena energia e absorve o choque protegendo o corpo de lesões .

O melanoma da pele, também designado melanoma cutâneo tem 4 subtipos principais:

Melanoma de extensão superficial

O melanoma de extensão superficial é o tipo de melanoma cutâneo mais comum, abrangendo aproximadamente 70% de todos os melanomas primários em pessoas de raça branca. Pode surgir em qualquer parte do corpo, mas mais frequentemente nas extremidades inferiores nas mulheres e no tronco nos homens, lugares onde a pele se encontra exposta intermitentemente ao sol. Este tipo de melanoma cresce frequentemente de formal lenta, espalhando-se horizontalmente na pele e tornando-se mais perigoso quando invade a camada inferior da pele, a derme.

Melanoma nodular

Este tipo de melanoma constitui cerca de 10 a 15% dos melanomas da pele. Pode ocorrer em qualquer local mas é frequentemente encontrado na pele da cabeça e pescoço danificadas pelo sol. Normalmente aparece como um caroço de crescimento rápido, firme ao toque e que pode ser acompanhado por ferida e sangramento. É uma forma de melanoma de crescimento rápido e agressivo, espalhando-se rapidamente para a camada inferior da pele, a derme.

Melanoma lentigo maligno

Este tipo de melanoma constitui cerca de 4 a 15 % dos melanomas da pele. Geralmente envolve locais da pele cronicamente expostos ao sol como a cabeça, a região do pescoço ou antebraços. Pode crescer lenta e superficialmente durante muitos anos, antes de penetrar mais profundamente na pele.

Melanoma acral lentiginoso

Este é um tipo raro de melanoma constituindo cerca de 5% dos casos em pessoas de raça branca e apresentando uma incidência bastante superior em pessoas de pele mais escura (acima dos 30%). É mais frequentemente encontrado na pele das plantas dos pés ou palmas das mãos e nas unhas das mãos ou dos pés. É um tumor de crescimento lento e de pigmentação variada, que não está associado à exposição ao sol.

Outros subtipos de melanomas da pele

De acordo com a classificação em vigor da Organização Mundial de Saúde, para além dos quatro subtipos de melanoma da pele já referidos, existem ainda outros 5 subtipos mais raros que são o melanoma desmoplásico, o melanoma com origem no nevo azul, o melanoma com origem no nevo congénito, o melanoma nevóide e o melanoma persistente.

Para informações mais específicas de algum destes subtipos, por favor, contacte-nos.

Qualquer pessoa pode desenvolver melanoma e não se sabe ainda exactamente o que causa o melanoma. No entanto, estão identificados vários fatores de risco. Ter um ou mais fatores de risco não significa que a pessoa vai ter melanoma. Da mesma forma, o melanoma pode ocorrer em pessoas sem qualquer fator de risco. É importante saber quais são os fatores de risco porque alguns deles dependem dos nossos comportamentos e, por isso, poderemos evitá-los.

Os principais fatores de risco para melanoma são os seguintes:

Exposição aos raios UV– A principal causa de todos os tipos de cancro da pele é a sobreexposição à radiação ultravioleta (UV) do sol ou outra fonte, como os solários, cujos danos se acumulam ao longo do tempo. A exposição desprotegida das crianças à radiação UV aumenta o risco de cancro da pele mais tarde na vida;

Muitos sinais ou sinais atípicos – a maioria dos adultos tem sinais e a maioria dos sinais não se transforma em melanoma, no entanto, ter mais de 100 sinais em todo o corpo ou sinais com forma irregular ou cor desigual é um fator de risco para melanoma;

Pele clara, olhos azuis ou verdes, cabelo loiro ou ruivo – pessoas com estas características geralmente tem menor protecção contra os raios UV porque tem menos melanina na pele e, assim, mais facilmente podem sofrer queimaduras solares;

Idade – embora o melanoma seja um dos cancros mais comuns em pessoas com menos de 30 anos, a maioria das pessoas desenvolve melanoma depois dos 60 anos de vida;

Supressão imunitária – algumas doenças e medicamentos enfraquecem o sistema imunitário, que é a defesa natural do organismo contra infecções e doenças. As pessoas com o sistema imunitário enfraquecido podem ter um risco mais elevado de desenvolver melanoma e outros cancros cutâneos;

História familiar de melanoma – há um maior risco de desenvolvimento de melanoma se um familiar direto tiver tido melanoma. Quanto mais membros da família tiverem melanoma, maior é o risco.

Limite a sua exposição solar – deve evitar a exposição solar entre as 11h00 e as 17h00. A horas mais seguras para a exposição solar são quando a sombra é maior que os objetos;

Aplique protector solar – Use um protector solar com um factor de protecção solar de 30 ou superior todos os dias, porque a luz UV está sempre presente. O protector solar deve ser de largo espectro, o que significa que protege contra os raios UVA e UVB. Os adultos devem certificar-se de que as crianças aplicam protector solar. Proteger as crianças é muito importante, uma vez que as queimaduras solares numa idade precoce podem aumentar muito o risco de melanoma mais tarde na vida. O protector solar deve ser aplicado meia hora antes da exposição e reaplicado a cada duas horas, se suar e depois de nadar;

Utilize roupas que protejam a pele – opte por calças, mangas compridas, chapéus de abas largas e óculos de sol com protecção UVA e UVB. Existe roupa nas lojas de artigos desportivos feita com tecidos limitam a exposição aos raios UV;

Não frequente solários – a sua utilização está associada a um risco mais elevado de melanoma e outros tipos de cancro da pele;

Auto-exame – faça uma auto-observação da sua pele a cada 2 meses e informe o seu médico sobre quaisquer alterações nos seus sinais ou pele. Utilize espelhos para conseguir verificar o corpo todo ou peça ajuda a alguém;

Consulte um dermatologista – um dermatologista é um médico especialista em doenças de pele. Se tiver muitos sinais um dermatologista deve verificar a sua pele regularmente.

Ao verificar regularmente a sua pele conseguirá reconhecer alterações nos sinais existentes ou novos sinais. Existe um método de identificação de melanoma designado ABCDE que ajuda na sua detecção:

Faça uma auto-observação da sua pele a cada 2 meses e informe o seu médico sobre quaisquer alterações nos seus sinais ou pele. Utilize espelhos para conseguir verificar o corpo todo ou peça ajuda a alguém.

Diagnosticar melanoma é uma tarefa complexa. O dermatologista analisa a história médica da pessoa e realiza um exame físico que consiste na análise dos sinais suspeitos e restante corpo, bem como a palpação do pescoço, axilas, virilhas e abdómen. As lesões da pele suspeitas de serem melanoma são depois investigadas por dois métodos principais:

Dermatoscopia: é um exame não invasivo que utiliza um instrumento designado dermatoscópio, que permite ver a pele de forma aumentada e, assim, avaliar todos os aspetos do sinal suspeito de acordo com o método ABCDE. Se o sinal se confirmar suspeito de melanoma após avaliação com o dermatoscópio é realizada uma biópsia;

Biópsia: é um exame invasivo em que é retirada uma amostra do sinal suspeito ou todo o sinal, conforme o local onde se encontra e a decisão do médico, para ser analisado pelo médico patologista, que é um médico especialista na análise de células e tecidos para detecção de doenças. A biópsia é realizada sob anestesia local para que a pessoa não sinta dor durante a sua realização.

O patologista emitirá um relatório que inclui informações detalhadas que vão ajudar a equipa médica a determinar quais as opções de tratamento a considerar.

O relatório do patologista inclui  vários parâmetros. Alguns deles são:

Diagnóstico: se o melanoma está presente e, em caso afirmativo, o subtipo, por exemplo, o melanoma de extensão superficial;

Espessura do Breslow: qual a profundidade do tumor na pele, medida em milímetros. Quanto mais espesso for um melanoma, maior é a probabilidade de reaparecer ou de se espalhar para outras partes do corpo.

Nível de Clark: descreve quantas camadas de pele o melanoma atravessou. É classificado de I-V, sendo I o mais superficial e V o mais profundo. A espessura do Breslow é muito mais importante do que o nível Clark para atribuir um estadio a um melanoma;

Ulceração: se a camada superior da pele do tumor está presente e intacta (não ulcerada) ou se está danificada ou ausente (ulcerada);

Índice mitótico: a mitose é o processo pelo qual uma célula se divide em duas. Este índice consiste na contagem do número de células que se dividem ativamente para calcular a rapidez com que as células do melanoma se estão a dividir;

Margens: Presença ou ausência de células de melanoma no tecido de aspecto normal em torno do melanoma removido durante a biopsia inicial ou cirurgia subsequente;

Regressão tumoral: presença de linfócitos (células do sistema imunitário) no melanoma e evidência se algumas células do melanoma foram destruídas pelo sistema imunitário e substituídas por tecido cicatrizado.

Depois da equipa médica analisar o relatório do patologista pode ser necessária uma cirurgia adicional para obtenção de margens limpas de melanoma. Em função da espessura do melanoma, os gânglios ou nódulos linfáticos próximos podem também ter que ser avaliados.

Os gânglios ou nódulos linfáticos são pequenas glândulas que funcionam como filtros espalhados por todo o corpo. Contêm células imunitárias que ajudam a combater infecções e a destruir germes transportados no líquido linfático. Existem centenas de nódulos linfáticos em todo o corpo e estão localizados principalmente no pescoço, axilas e virilhas, ligando-se uns aos outros por vasos linfáticos. Por vezes o melanoma pode viajar através dos vasos linfáticos para outras partes do corpo. Para testar se o melanoma se espalhou, pode ser aconselhada uma biópsia com agulha fina ou uma biópsia dos gânglios sentinela:

Biópsia por aspiração com agulha fina: uma agulha fina é utilizada para recolher uma amostra de células de um gânglio linfático aumentado identificado durante o exame médico. Por vezes é utilizada uma sonda com ecografia para guiar a agulha; a amostra é então examinada ao microscópio para ver se contém células de melanoma;

Biópsia dos gânglios sentinela: se a espessura de Breslow do melanoma for superior a 1 mm ou, por vezes, quando se encontra entre 0,8 e 1 mm, poderá ser aconselhado uma biopsia deste tipo. Esta biópsia encontra e remove um ou mais gânglios linfáticos regionais para os quais o melanoma teria maior probabilidade de se propagar, designados gânglios sentinela. Pode fornecer informações que ajudam a prever o risco de propagação do melanoma a outras partes do corpo, ajudando no planeamento do tratamento.

Os resultados obtidos irão ajudar a equipa médica fazer o estadiamento do melanoma. O estadiamento, que consiste em atribuir um estadio que descreva o melanoma de acordo com os resultados dos testes, ajuda a equipa médica a recomendar o tratamento e vigilância mais adequados.

Podem ainda ser recomendados alguns outros testes de diagnóstico, incluindo análises ao sangue e exames de imagem (ecografia, ressonância magnética – RM, tomografia axial computorizada – TAC ou tomografia por emissão de positrões – PET), para determinar se o melanoma se propagou do local primário para outras partes do corpo.

Exames de imagem

Ecografia: é um exame de imagem que utiliza ondas sonoras para tirar fotografias do interior do corpo. Em algumas situações é utilizada para obter uma melhor visão dos gânglios linfáticos próximos do primeiro tumor de melanoma, designado primário. Por exemplo, este exame pode ser considerado se o exame físico dos gânglios linfáticos não tiver sido conclusivo. Um gel é espalhado na área a ser analisada e o médico desliza um dispositivo para trás e para a frente sobre a área do gel. Esse dispositivo envia ondas sonoras para o computador que as traduz em imagem;

Ressonância magnética – RM: é um exame de imagem que utiliza ondas rádio e imanes muito fortes para tirar fotos do interior do corpo. É muito útil para observar os tecidos moles, cérebro, medula espinhal e áreas específicas do osso. É necessário ficar imóvel durante o exame e as máquinas fazem algum ruído;

Tomografia (axial) computorizada – TAC/ TC: é um exame de imagem que utiliza raios X para tirar fotos de uma parte do corpo a partir de diversos ângulos. Depois o computador junta essas fotos para criar uma imagem a 3 dimensões. Pode ser necessário utilizar um contraste para que as imagens sejam mais nítidas. Dependendo das situações, o contraste pode ser bebido dissolvido em água ou ter que ser injetado na veia;

Tomografia por emissão de positrões – PET: este exame de imagem mostra como as células estão a utilizar um forma simples de açúcar. Para fazer as imagens é necessário que seja injectado na veia um radiofármaco, uma substância que fará com que as células que utilizam o açúcar fiquem mais brilhantes. Este teste é geralmente combinado com a tomografia computorizada, sendo designado PET/TC. As células de melanoma usam açúcar mais rapidamente do que as células normais, por isso ficam mais brilhantes nas fotografias e, ao mesmo tempo, o tomógrafo permite que o computador faça uma imagem tridimensional do uso de açúcar em todo o corpo.

Testes genéticos

O melanoma da pele é um dos cancros com a maior frequência de mutações genéticas. Uma mutação genética é uma alteração do DNA, que faz com que as nossas células alterem as proteínas que produzem, alterando o equilibro do nosso corpo. Por exemplo, a proteína BRAF ela é uma proteína que existe na células normais do corpo humano e que é muito importante para o crescimento celular. No entanto, quando está mutada, começa a ser produzida continuamente e permite que as células de melanoma cresçam de forma descontrolada. Conhecer que mutações estão presentes no melanoma é importante para estabelecer as opções de tratamento pois existem tratamentos que são especificamente dirigidos a essas mutações que permitem o melanoma crescer. Os testes genéticos são realizados numa amostra de melanoma retirada na biópsia. As principais mutações pesquisadas são:

Mutação BRAF: é a mutação mais comum encontrada em melanoma, estando presente em cerca de metade dos melanomas da pele;

Mutação NRAS: ocorre em cerca de 20% dos melanomas da pele e os melanomas que a têm tendem a ser mais espessos e a crescer mais rapidamente;

Mutação c-KIT: esta mutação apresenta maior frequência no melanoma da pele acral e é a mais comum no melanoma das mucosas;

Mutação GNAQ e GNA11: são as mais comuns no melanoma uveal.

Se nenhuma mutação for encontrada para o gene específico que se pesquisa, o melanoma é referido como “tipo selvagem” para esse gene.

O estadiamento descreve o estadio da doença, ou seja, o quanto o melanoma se espalhou no corpo. Quanto maior o estadio, mais o melanoma se espalhou. O estadiamento é muito importante porque é utlizado pelos médicos para recomendar o tratamento mais adequado. Os diferentes estadios de melanoma da pele são os seguintes:

Os estadios 0, I e II são designados melanoma localizado, o estadio III melanoma localmente avançado e o estadio IV melanoma avançado.

Para calcular os diferentes estadios de melanoma da pele são associados três parâmetros:

pT – Tumor: refere-se à espessura do melanoma. A ulceração, se a camada superior da pele do tumor está presente e intacta (não ulcerada) ou se está danificada ou ausente (ulcerada), também é considerada nesta categoria. É atribuída uma pontuação de 0 a 4 com base nos milímetros de profundidade que o melanoma cresceu;

N- Nódulos linfáticos regionais: indica se o melanoma se espalhou para os nódulos (ou gânglios) linfáticos regionais, ou seja, os que estão próximos da lesão original. Existem vários tipos de N possíveis, por exemplo N1a, N1b, N3a/b/c, etc. de acordo com o número de nódulos para os quais se espalhou e extensão dessa propagação. NX indica os nódulos linfáticos não foram avaliados;

M- Metástases: indica se o melanoma se espalhou para locais distantes e, em caso afirmativo, para onde. Pode ser M0 ou M1, se não estiverem presentes metástases distantes ou estiverem, respectivamente. M1 tem quatro subtipos de acordo com o local do corpo onde estão as metástases distantes. MX indica que não foram avaliadas as metástases.

Prognóstico

O prognóstico é o resultado previsto de uma doença, ou seja, é uma previsão de como a doença se irá comportar baseado em dados de outras pessoas que tiveram a doença, nunca sendo possível saber exactamente o que irá acontecer. É importante conversar com o seu médico acerca do seu prognóstico e opções de tratamento. Esse diálogo contribui para uma parte muito importante do plano de tratamento que é a tomada de decisão partilhada em que juntos planeiam os passos seguintes.

Quanto menor for o estadio de melanoma, melhor é o prognóstico porque os dados indicam que o melanoma pode ser tratado mais eficazmente nas suas fases iniciais, quando ainda está confinado à camada superior da pele, a epiderme. Nos últimos anos, vários ensaios clínicos conduziram a novos tratamentos que contribuíram para uma melhoria significativa do prognóstico das pessoas com melanoma avançado.

Nesta fase, a pessoa diagnosticada, familiares ou cuidadores devem comunicar à equipa médica todas as suas dúvidas sobre o diagnóstico e prognóstico e assim obter respostas sobre os assuntos que considerem relevantes e, caso desejem, ter um maior envolvimento na planificação do seu tratamento.

As opções de tratamento de melanoma dependem do estadio e existem diversas opções. Nesta secção, descrevem-se os principais tratamentos disponíveis para os diferentes estadios de melanoma. No entanto, tal não significa que cada pessoa que seja diagnosticada com melanoma receba todos os tratamentos enumerados, cada caso tem as suas particularidades.

Os tratamentos têm uma designação especial de acordo com a ordem em que são administrados:

Tratamento neo-adjuvante: tratamento administrado antes da cirurgia de remoção para encolher o melanoma, de forma a facilitar a cirurgia para obter resultados de maior sucesso;

Tratamento primário: tratamento principal dado para eliminar o melanoma do corpo. A cirurgia é muito frequentemente utilizada como o tratamento primário do melanoma;

Tratamento adjuvante: tratamento administrado após o tratamento primário para matar eventuais células melanoma que tenham ficado no corpo mas que não são detectáveis por testes de sangue ou de imagem; a sua realização está associada ao risco do melanoma voltar após uma cirurgia de intenção curativa.

Tratamento paliativo: tratamento administrado quando o tumor já está numa fase avançada, com metastização noutros locais que não apenas o tumor de origem. O seu objetivo é tratar e aliviar a sintomatologia do cancro, não apresentando intuito curativo.

Os tratamentos também têm uma designação especial de acordo com sua atuação no corpo:

Tratamentos locais: tratamentos administrados para tratar o melanoma numa área específica e pequena do corpo, tal como a cirurgia;

Tratamentos sistémicos: tratamentos administrados para tratar o melanoma em todo o corpo. Estes tratamentos viajam através da corrente sanguínea para chegar a todas as partes do corpo.

Cirurgia

Geralmente a cirurgia é o principal tratamento para o melanoma da pele, pelo, que por regra, a maioria das pessoas diagnosticadas com melanoma da pele são operadas após a biópsia.

O objetivo da cirurgia é remover todo o melanoma do corpo e uma margem de pele saudável em redor do tumor, designada margem cirúrgica de segurança. A remoção desta margem em torno do melanoma tem como objetivo garantir que nenhuma célula de melanoma ficou naquele local. O tamanho da margem cirúrgica, que é medida em centímetros, depende sobretudo da espessura do melanoma.

Pode também ser realizada uma cirurgia de remoção dos gânglios linfáticos se houver indícios de que estes foram afetados pelo melanoma. Esta operação é realizada sob anestesia geral e requer uma permanência mais prolongada no hospital. Normalmente apenas os gânglios linfáticos próximos do melanoma são removidos.

Para melanomas de baixo risco de se espalharem, a cirurgia para remover o tumor primário da pele com margens de segurança pode ser o único tratamento necessário.

Imunoterapia

A imunoterapia é um tratamento que aumenta a actividade do sistema imunitário. Ao fazê-lo, os medicamentos de imunoterapia melhoram a capacidade do corpo de encontrar e destruir células cancerígenas. A imunoterapia pode ser utilizada como tratamento adjuvante após a cirurgia ou, pode ser usada como tratamento primário para melanomas que não podem ser removidos por cirurgia.

Na superfície das células imunitárias do organismo encontram-se proteínas chamadas “pontos de controlo” que impedem o sistema imunitário de atacar as células cancerígenas. A imunoterapia são inibidores dos “pontos de controlo” bloqueando estas proteínas para que as células imunitárias possam reconhecer e atacar o melanoma. Alguns exemplos de tratamentos de imunoterapia aprovados no melanoma da pele em Portugal são:

  • Ipilimumab
  • Pembrolizumab
  • Nivolumab
  • Nivolumab + Ipilimumab em combinação

Estes medicamentos são administrados numa veia. Os inibidores “pontos de controlo” não funcionam para todos os melanomas, mas algumas pessoas têm tido resultados muito encorajadores. Os medicamentos de imunoterapia são, por vezes, utilizados em combinação e diferentes combinações de medicamentos funcionam para diferentes pessoas.

Terapêutica dirigida

A terapêutica dirigida ataca mutações genéticas específicas dentro das células de melanoma, que são responsáveis pelo seu crescimento e divisão descontrolado, minimizando ao mesmo tempo os danos às células saudáveis. Estão aprovados vários medicamentos terapêuticos específicos para melanomas que apresentam a mutação BRAF, que se designam inibidores BRAF e inibidores MEK. A terapêutica dirigida é sistémica e diferentes medicamentos de terapêutica dirigida podem ser utilizados em combinação uns com os outros ou em combinação com outras terapias. São tomados como comprimidos (por via oral). Existem medicamentos para as mutações  NRAS e C-KIT a ser testados em ensaios clínicos. A combinação de inibidores de BRAF (vemurafenib, dabrafenib ou encorafenib) e de inibidores MEK (trametinib, cobimetinib ou binimetinib ) é mais eficaz do que um único medicamento, pelo que um inibidor de BRAF e um inibidor MEK são normalmente utilizados em conjunto.

Exemplos de terapêuticas dirigidas aprovadas em Portugal no contexto do melanoma da pele metastático são:

  • Dabrafenib + Trametinib em combinação
  • Vemurafenib + Cobimetinib em combinação
  • Encorafenib + Binimetinib em combinação

Para se saber se se é elegível para estes tipos de tratamento é necessário realizar testes genéticos que irão avaliar se as mutações genéticas para os quais estes medicamentos são dirigidos estão presentes no melanoma.

Radioterapia

A Radioterapia consiste na utilização de radiação dirigida para matar ou danificar as células de melanoma. Pode ser utilizada isoladamente ou em combinação com outros tratamentos. Pode ser utilizada após a cirurgia para prevenir que o melanoma volte quando há um risco elevado, quando não é possível fazer cirurgia ou como tratamento para alívio de dor e sintomas. É considerado um tratamento local, visto ser, geralmente, aplicado apenas na região do corpo onde o tumor se encontra. A radiação pode ser aplicada:

  • a partir do exterior do corpo (radioterapia externa), sendo direcionada apenas para o local onde se encontra o tumor;
  • através de pequenos implantes que contêm o material radioativo (radioterapia interna ou braquiterapia) aplicados na zona do tumor.

 

Quimioterapia

A quimioterapia é um tratamento sistémico, que utiliza medicamentos que causam a morte de células de melanoma, visando células que se dividem rapidamente. Infelizmente, as células de melanoma não são as únicas células que se dividem rapidamente; também acontece com as células do sistema digestivo, células capilares e outras células saudáveis. A quimioterapia pode ser administrada em comprimido (oralmente) ou como uma injecção na veia (via endovenosa). Com os últimos avanços na terapêutica dirigida e novas imunoterapias, a quimioterapia é utilizada com muito menos frequência para tratar o melanoma.

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