Melanoma das mucosas urogenitais

Aproximadamente 20% dos melanomas das mucosas começam começam no trato genital feminino. Não existem fatores de risco óbvios identificados, nem de histórico familiar.

Os sintomas dos melanomas das mucosas urogenitais são parecidos aos dos outros cancros da vulva/vagina ou pénis e também parecidos com outras condições de saúde menos graves. Incluem o aparecimento de um caroço, de uma área dorida e/ou que sangra e/ou mais escura e dificuldades em urinar. Caso surja algum destes sintomas é muito importante comunicá-los ao médico, para que ele possa esclarecer a sua causa.

Na consulta de diagnóstico o médico irá realizar um exame completo, poderá propor uma cistoscopia – exame que utiliza um tubo flexível de visualização que permite ver de forma aumentada e detalhada o canal urinário até à bexiga – e propor uma ressonância magnética pélvica (do fundo da barriga). Caso seja detetado um nódulo ou lesão suspeitos poderão ser removidos ou realizada uma biópsia, consoante o caso e os sintomas apresentados. Caso se confirme o diagnóstico de melanoma das mucosas urogenital poderá também ser realizado um exame PET-CT ao corpo para avaliar se o cancro se espalhou para outras partes do corpo.

Existem várias mutações genéticas que têm sido identificados e que podem estar envolvidos em alguns, mas não todos, os melanomas das mucosas. A amostra de tecido recolhida na biópsia pode ser testada para ver se uma ou mais destas mutações genéticas identificadas estão envolvidos no cancro. Este tipo de testes, designados testes genéticos, pode ajudar a decidir qual o melhor tratamento, no presente e no futuro.

A equipa médica fará um diagnóstico baseado nos resultados dos testes e exames médicos e, caso se confirme o diagnóstico de melanoma urogenital, este será avaliado por um processo designado estadiamento. O estadiamento descreve o estadio da doença, ou seja, o quanto o melanoma se espalhou no corpo. Quanto maior o estadio, mais o melanoma se espalhou. O estadiamento é muito importante porque é utlizado pelos médicos para recomendar o tratamento mais adequado. Tal como o melanoma anorretal não existe um sistema de estadiamento específico para o melanoma urogenital no sistema TNM, que se baseia nos três parâmetros a seguir enumerados:

  • T – Tumor: refere-se ao tamanho, extensão e tecidos que estão envolvidos no cancro;
  • N- Nódulos linfáticos: refere se o melanoma se espalhou para os nódulos (ou gânglios) linfáticos regionais;
  • M- Metástases: se o melanoma se espalhou para locais distantes.

No sistema de estadiamento TNM o melanoma urogenital está incluído no estadiamento do melanoma da pele. Muitas vezes poderá ser considerado o estadiamento simples em que Estadio I corresponde a doença localizada, Estadio II a doença com envolvimento dos nódulos linfáticos regionais e Estadio III com presença de metástases distantes.

Nesta fase, a pessoa diagnosticada, familiares ou cuidadores devem comunicar à equipa médica todas as suas dúvidas sobre o prognóstico e assim obter respostas sobre os assuntos que considerem relevantes e, caso desejem, ter um maior envolvimento na planificação do seu tratamento.

O tratamento será assegurado por uma equipa médica especializada multidisciplinar, ou seja, que irá envolver profissionais de saúde de várias especialidades. Sendo o melanoma das mucosas urogenital um cancro raro que tem semelhanças a ambos melanoma da pele e cancro urogenital, a equipa que fará o seguimento provavelmente será composta por especialistas destes últimos tipos de cancros. É importante esclarecer quem são os elementos da equipa que podem ser contactados caso surja alguma questão durante a fase de tratamento ou, por exemplo, seja necessário agendar uma consulta de urgência.

Se o melanoma urogenital não se espalhou para além da local onde se iniciou o tratamento será a cirurgia. No planeamento da cirurgia, deve ser discutido com o médico como a cirurgia poderá afetar a continência urinária (capacidade de controlar a urina) e, no caso dos, homens a função eréctil. Caso se preveja que este tipo de sequelas são prováveis de acontecer devem ser conjuntamente avaliadas todas as outras opções de tratamentos possíveis para que a pessoa diagnosticada possa decidir que tratamento que acha melhor para si.

O objetivo da cirurgia é remover o melanoma e um pouco do tecido saudável circundante (normalmente 5mm) de forma a garantir que todo o cancro é removido. Se estas margens estiverem livres de melanoma, a cirurgia pode ser o fim do tratamento ou dependendo do estadio e do tumor pode ser proposta terapêutica adjuvante. Se as margens cirúrgicas não estiverem livres de melanoma a cirurgia poderá ser repetida. Caso tal não seja possível poderá ser proposta radioterapia.

Se o tumor for muito grande ou se se tiver espalhado, poderá ter que ser realizada uma cirurgia mais complexa, que pode envolver a remoção dos nódulos linfáticos afetados. Novamente antes da cirurgia deverá ser discutido com o médico o impacto que poderá ter na continência urinária e função eréctil (no caso dos homens) e avaliadas todas as opções possíveis. Se o melanoma se espalhou poderá ser proposta quimioterapia ou radioterapia em vez de cirurgia.

Consoante os resultados da cirurgia e o estadio do cancro, pode ser proposta terapêutica adjuvante. O tratamento adjuvante é o tratamento administrado após o tratamento primário para matar eventuais células melanoma que tenham ficado no corpo mas que não são detectáveis por testes de sangue ou de imagem; a sua realização está associada ao risco do melanoma voltar após uma cirurgia de intenção curativa. Poderá ser proposta radioterapia adjuvante ou até a partipação num ensaio clínico.

Os tratamentos de Imunoterapia e terapêutica dirigida aprovados no melanoma da pele podem também eventualmente ser propostos embora exista pouca informação em relação ao melanoma urogenital nesse contexto devido ao facto de ser um cancro raro.

Após o tratamento inicial, ocorrerá um seguimento através de consultas e exames regulares. Algumas diretrizes indicam que nos primeiros 3 anos as consultas devam ocorrer a cada 3 meses e incluir os exames realizados na primeira consulta de diagnóstico. Geralmente, 2 a 3 meses após a cirurgia é realizado uma TAC do tórax, abdómen e pelve que poderá ser repetido a cada 6 meses no primeiros 3 anos. Raramente o melanoma urogenital se espalha para o cérebro mas poderá ser discutido com o médico os riscos e benefícios de realizar exames ao cérebro. De 3 a 5 anos após o tratamento as consultas podem passar a ser semestrais e a TAC uma vez por ano.

Caso o melanoma volte a aparecer a cirurgia é novamente a primeira linha de tratamento. Caso a cirurgia não seja opção deve ser discutido com o médico os diferentes tratamentos disponíveis. Existem novos tratamentos em desenvolvimento e o médico poderá falar sobre as taxas de sucesso, riscos e benefícios. Poderá ser proposta Imunoterapia. Alguns melanomas urogenitais têm aspetos únicos que permitem ser elegíveis para terapêutica dirigida. De acordo com determinados factores relacionados com o tumor, poderá também ser proposta radioterapia paliativa. O médico também poderá discutir a possibilidade de participar em ensaios clínicos.

Após o tratamento para a recidiva ou metástase, o seguimento através de consultas e exames geralmente retomam a frequência de 3 meses, com avaliações também ao cérebro. Caso não haja progressão a frequência poderá passar a 6 meses ao fim de 3 anos e a anual após 5 anos.

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